
Raimundo Moreira do Nascimento Filho, 65, nasceu no interior do Maranhão, a quase 3 mil km de Cuiabá, mas se considera "mais cuiabano do que muitos nascidos aqui".
A capital conhecida por sua hospitalidade e o calor que facilmente passa dos 40º, completa 307 anos no próximo dia 8.
Para celebrar a data, o Diário traz histórias do amor que chega com o nascimento e por adoção da cidade como "mãe".
"Só esperei completar 18 anos para tirar os documentos e vir para Cuiabá", revela Raimundo Filho.
"Tinha um amigo de infância que estava aqui, o Gilson. Ele dizia que foi bem recebido e que em Cuiabá era bom de trabalho", conta.
"Gilson mascateava vendendo roupas, redes e tapetes nas ruas", detalha.
"Cheguei aqui no dia 28 de julho de 1980. Comecei a fazer o mesmo que meu amigo, mas não suportei o sol, desisti", revela.
"Fui procurar emprego para fugir do sol. Consegui em um bar, o Hawaí lanches", narra.
Hoje, quase 46 anos depois, Raimundo diz que carrega Cuiabá no coração.
"Se viajo para o Maranhão, não consigo ficar lá mais por mais de 30 dias", confidencia o "maracuia".
"Fico com saudade e contanto os dias para voltar", completa.
"Maracuia", é dessa forma, com bom-humor, que ele se identifica quando lhe perguntam de onde é.
Como garçom, Raimundo conheceu e viveu a noite e a boemia cuiabana como poucos.
Ele diz que trabalhou em bares e boates cujos nomes contam muito da história da capital, entre os quais Garrafão, Belisco, Dimbos, Panaceia...
Ao final da noite, depois da longa jornada como garçom, era hora de ser boêmio. Raimundo buscava um lugar para ser servido.
"Íamos para o Coqueiros, o bar onde os garçons se encontravam", explica.
Trabalhando na noite cuiabana, Raimundo diz que se tornou um boêmio e que por causa dessa boemia seus relacionamentos não duravam.
"Que mulher suporta viver com um homem que só chega em casa de manhã?" A mulher ficava brava e ia embora", diz.
Casado formalmente por duas vezes, ele está há 34 anos com a massoterapeuta Rosângela Araújo de Oliveira.
Ele e Rosângela são pais de Anny Karolliny, 32, e avós de Bento, de 4 anos, ambos cuiabanos por nascimento.
Aposentado, Raimundo faz serviços eventuais de garçom em festas de aniversário, casamento, formaturas, entre outros.
No currículo profissional, servir ao papa João Paulo II é o que mais ele gosta de contar.
João Paulo II esteve em Cuiabá em 16 de outubro de 1991, um dia comum, com os termômetros marcando 40º.
Ele celebrou missa pra milhares de pessoas onde hoje é o Santuário Eucarístico São João Paulo II, no bairro Morada do Ouro.
Raimundo foi o garçom que serviu as ventrechas de pacu que, segundo ele, o João Paulo II saboreou com gosto.
"Ele comeu muito. A ventrecha que servi, mojica(pintado com mandioca), pirão e farofa de banana. Também tomou suco de caju", revela.
"Acho que o calor abriu o apetite dele", brinca Raimundo.
Na época, Raimundo trabalhava como garçom da rede de hotéis Mato Grosso, responsável por parte da recepção do papa.
"O papa foi muito simpático e atencioso com todos. Ele olhava para nós e agradecia cada um a cada vez que era servido", recorda.
Raimundo disse que recebeu de presente, das mãos de João Paulo II, dois terços.
Com ele presenteou a mãe, dona Terezinha Maria de Jesus, o outro deu para uma amiga, ambas muito católicas.
"Minha mãe era tão católica que todas as noites, antes de dormir, passava duas horas rezando", assinala ele.
A mãe de Raimundo morreu há sete anos, no Maranhão, aos 83 anos. A amiga, da qual não revelou o nome, disse que não tem notícias há décadas.
Veja Mais Notícias de MT não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático agradecemos a participação!