
O avanço da logística foi apontado como peça-chave para sustentar o crescimento do etanol de milho em Mato Grosso durante a 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada na última quinta-feira (16), em Cuiabá. No painel sobre a logística de distribuição, o ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações, Cidinho Santos, destacou o projeto de um alcooduto de 2,1 mil quilômetros ligando Sinop (MT) a Paulínia (SP), com investimento estimado em R$ 22 bilhões.
Segundo ele, a proposta já conta com interesse do governo federal para inclusão no PAC e também de investidores privados, o que pode acelerar a viabilização da obra e marcar uma nova fase para o setor de biocombustíveis no Estado.
“Estamos falando de um projeto que começa a ganhar forma agora e que ainda será muito discutido nos próximos meses. Esse alcooduto, somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção, vai colocar Mato Grosso em outro nível de competitividade”, afirmou.
Cidinho ressaltou que a capacidade projetada do duto é de 13 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção atual já gira em torno de 8 milhões, o que garantiria uma ocupação inicial próxima de 70%.
“É um investimento robusto, mas que já nasce com demanda. Isso representa um novo momento para os biocombustíveis, especialmente para o etanol de milho em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, completou.
O avanço logístico acompanha um crescimento acelerado da indústria. Mato Grosso consolidou a liderança nacional no etanol de milho ao atingir 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025, concentrando cerca de 70% de toda a produção brasileira. Hoje, o estado conta com 17 usinas de biocombustíveis em operação, sendo 9 dedicadas exclusivamente ao milho e outras 3 no modelo flex (milho e cana), o que evidencia a expansão e a diversificação do parque industrial.
As projeções indicam que esse avanço deve continuar. A moagem de milho pode chegar a 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, com crescimento superior a 19%, impulsionado pela entrada de novas unidades e pela ampliação da capacidade instalada.
Mais do que volume, o setor tem promovido uma mudança estrutural na economia do estado, com a transformação do milho em produtos de maior valor agregado, como etanol, DDGS — utilizado na nutrição animal e bioeletricidade, ampliando os efeitos sobre emprego, renda e arrecadação.
Além do novo modal, o empresário também citou a duplicação da BR-163 pela Nova Rota Oeste, a maior obra de infraestrutura rodoviária do país, que vai reduzir custos logísticos e melhorar o escoamento da produção.
O debate reuniu ainda o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, e o diretor da Ultracargo, Fernando Dihel, que apontaram alternativas complementares para ampliar a distribuição do etanol.
Edeon Vaz destacou o potencial do chamado Arco Norte, com escoamento via Miritituba e Barcarena para abastecimento do Nordeste, além da ampliação da concessão da BR-163 até o Pará, que deve permitir novas obras e melhorias nos próximos anos.
“Essa logística pelo Norte não concorre com o alcooduto, ela complementa. A ideia é ampliar os caminhos e alcançar regiões deficitárias em etanol”, disse.
Já Pagot defendeu o uso de hidrovias como solução mais competitiva para levar o produto ao Nordeste, com integração entre Santarém e o Porto do Itaqui.
“Você pode levar o etanol até Santarém, colocar em balsas e distribuir a partir de um hub. É uma solução logística eficiente e com custo mais baixo”, afirmou.
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