
A temperatura na Câmara Municipal de Cuiabá baixou, ao menos no que diz respeito à tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. Após o desgaste que culminou na rejeição inédita do projeto em julho, o prefeito Abilio Brunini (PL) decidiu congelar o reenvio da proposta para a segunda quinzena de outubro, após as eleições. A estratégia, defendida pela base aliada, visa impedir que o debate orçamentário seja contaminado pelo acirramento eleitoral.
O vereador Rafael Ranalli (PL) disse hoje (11) que o clima atual na Casa de Leis é de disputa política, o que prejudicaria uma análise técnica da peça orçamentária. "Eu acredito que, depois da eleição, já vai estar mais pacificado, tanto de um lado quanto para o outro. E também a gente tem hoje, aqui dentro da Câmara, esse clima das próprias eleições gerais e municipais. Acho que não é o momento [de votar agora]. Ele falou isso para a gente da base e a gente anuiu com ele", afirmou Ranalli.
O vereador foi além e admitiu o risco de que, se votada agora, a LDO seria usada como arma política por vereadores que disputam a reeleição ou apoiam candidatos alinhados a grupos rivais.
"Eu concordo com esse posicionamento dele, até para dar mais tempo para a gente discutir e evitar que alguns vereadores utilizem [o projeto] como palanque eleitoral. Vários vereadores aqui ou são candidatos, ou apoiam alguém que pode se beneficiar de um ataque ao prefeito ou de um ataque à LDO. E a cidade não precisa disso nesse momento", disparou o vereador
Em 16 de julho, Abilio criticou a postura dos vereadores após a Câmara Municipal rejeitar o projeto da LDO. Sem quórum, o texto obteve apenas 12 votos favoráveis, mas precisava de 14 para ser aprovado. A votação ocorreu em um dia de extrema tensão, marcado pelo racha definitivo no bloco governista, após a suspensão judicial da votação da proposta que liberaria a reeleição de Paula Calil (PL) à Presidência da Mesa Diretora.
O pano de fundo é a intensa disputa pelo controle da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, que hoje conta com três candidaturas declaradas à presidência. Além de Paula e Dilemário Alencar (União), o vereador Ilde Taques (PSB) lidera a chapa de oposição, que atualmente conta com um bloco consolidado de 13 votos nos bastidores, transformando a eleição em um cenário de indefinição absoluta onde nenhum dos lados tem maioria segura.
A medida visa esvaziar o plenário da Câmara de Cuiabá nos meses que antecedem as eleições municipais e diminuir o desgaste público de debates inflamados na tribuna, mantendo os parlamentares focados nas campanhas de rua.
Sem diálogo entre os blocos governista, independente e de oposição, a "guerra fria" deve arrastar o impasse sobre a votação do orçamento e a eleição da nova Mesa Diretora até o limite dos prazos regimentais.
O Parlamento cuiabano aprovou a toque de caixa uma resolução que altera o funcionamento das sessões ordinárias para o período de agosto a outubro. Pelo novo modelo, os vereadores se reunirão apenas uma vez por semana, realizando duas sessões no mesmo dia, uma pela manhã e outra no período da tarde.
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